Entre conquistas e desafios, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) vêm impactando as estratégias de investimento social das empresas desde 2015. Agora, em sua reta final, a pouco mais de quatro anos para a conclusão da Agenda 2030, é hora de refletir sobre os aprendizados e ampliar o que funciona. 

De acordo com o Relatório dos ODS 2026, é necessário um esforço decisivo para cumprir os compromissos feitos pelos 193 Estados-membros das Nações Unidas. Das 139 metas com dados de tendências, apenas 36% estão no caminho certo ou apresentam progresso moderado; quase metade (49%) avança muito lentamente; e 15% dos propósitos regrediram para níveis inferiores aos de antes do acordo. 

Por outro lado, os dados acumulados também mostram que é possível alcançar avanços significativos, como na área da proteção social, que hoje abrange mais da metade da população global pela primeira vez na história. No que tange ao investimento social, a Agenda 2030 foi capaz de ampliar a compreensão sobre o papel das empresas diante dos desafios sociais e ambientais. 

Em muitos casos, o investimento social privado deixou de ser visto apenas como ação de relacionamento com comunidades e passou a ser tratado de forma estratégica, conectado ao território e aos compromissos institucionais da empresa. Para Fábio Cesnik, sócio-diretor da Animus, presenciamos um amadurecimento no discurso. “Dizer que um projeto ‘se relaciona’ com determinado ODS já não é suficiente. É necessário uma busca maior por coerência entre propósito, estratégia, território, recursos e impacto, o que exige mais inteligência na tomada de decisão e menos dispersão de esforços”, avalia.

Dos ODS à gestão estratégica do ISP 

Mais de uma década após a adoção dos ODS, Cesnik identifica alguns desafios presentes na gestão do investimento social privado de longo prazo, como a capacidade de transformar grandes compromissos em estratégias consistentes, com prioridades, recursos, indicadores e acompanhamento.

No ISP, isso significa sair da lógica de projetos isolados e oportunidades pontuais para a construção de uma visão de portfólio. “O principal desafio nunca foi a falta de agendas ou de temas relevantes. Mas identificar quais problemas a empresa quer ajudar a enfrentar, onde sua atuação gera mais valor social e como os recursos serão distribuídos e acompanhados”, afirma.

Uma boa estratégia também compreende que as necessidades sociais e os contextos econômico, ambiental e territorial mudam ao longo do tempo, exigindo ampla capacidade de revisão. “O desafio é ter uma bússola clara sem transformar o planejamento em algo engessado”, resume o advogado, com reconhecida atuação junto a fundações e organismos internacionais. 

Reta final como oportunidade de revisão

Espera-se que as escolhas feitas nos próximos anos, relacionadas à financiamento, cooperação e resposta coletiva a crises, tenham efeitos duradouros para as gerações futuras. Por isso, é papel das empresas avaliarem o que avançou e onde os recursos privados podem fazer diferença daqui para frente. 

“A proximidade de 2030 deveria provocar menos uma corrida para ‘cumprir metas’ e mais uma revisão estratégica. Isso passa por olhar para o portfólio com objetividade”, aconselha Cesnik. 

Para o especialista, estamos diante de uma importante oportunidade de transformar dados acumulados em inteligência para gestão a partir da análise sobre as iniciativas que continuam fazendo sentido, sobre o que precisa ser fortalecido, redirecionado ou encerrado. “2030 não deve ser tratado como linha de chegada. Os desafios que originaram os ODS continuarão existindo, por isso precisamos de modelos de investimento social capazes de atravessar ciclos, mudanças de contexto e novas agendas”, conclui. 

Acesse o Relatório dos ODS 2026/julho completo aqui.